SÃO PAULO — Há algo de arrebatador quando a rabeca, o pífano, a zabumba e os ritmos ancestrais do Brasil profundo invadem a cena com a imponência de uma orquestra de concerto e a vivacidade da dança popular. Quem presenciou essa catarse ao longo dos últimos meses entende por que o público de São Paulo esgotou bilheterias para ver a Orquestra Multicultural Brasílica.
Agora, os paulistanos têm a última oportunidade da temporada de vivenciar essa experiência: no dia 8 de agosto (sábado), às 20h, o grupo realiza a apresentação derradeira do espetáculo “Armoriano — Ecos do Movimento Armorial”, ocupando o Teatro Martins Penna (no Centro Cultural Penha).

A apresentação marca a despedida de uma circulação vitoriosa viabilizada pelo Programa Municipal de Fomento à Música da Cidade de São Paulo, com produção da B15 Arte. Desde a sua estreia fulgurante — que teve os ingressos totalmente esgotados no Centro Cultural Fiesp —, a montagem já percorreu palcos emblemáticos e reuniu mais de 10 mil espectadores, consagrando-se como um dos projetos culturais mais emocionantes e necessários em cartaz na capital.
A linhagem de sangue, arte e dança que mantém o Armorial vivo
O “borogodó” do espetáculo não reside apenas no virtuosismo técnico, mas na legitimidade de sua linhagem. O show é concebido e dirigido por Deca Madureira — artista com mais de 35 anos de carreira e sobrinho de Antônio José Madureira (Zoca Madureira), cofundador do histórico Quinteto Armorial ao lado do imortal escritor Ariano Suassuna, e de Antúlio Madureira, multi-instrumentista e autor de obras icônicas como Cavaleiro do Sol (trilha de O Auto da Compadecida).
O grupo traz uma abordagem contemporânea da música popular, unida à estética sonora do legado de Ariano Suassuna. Do baião ao frevo, é a tradição encontrando a experimentação, enriquecida por sonoridades contemporâneas, como o soul e o rock. No palco, a sonoridade ganha ainda mais força com a participação do Balé Cia Brasílica, que traduz a essência do movimento artístico através da dança e do gestual popular.
“Cresci respirando o Movimento Armorial dentro de casa e vendo meus tios e o mestre Ariano Suassuna transformarem a nossa matriz popular em algo épico e universal. Fazer essa ponte com a Orquestra e o Balé Cia Brasílica, inserindo a dança, a improvisação e fusões contemporâneas sem perder a alma artesanal, é a nossa forma de provar que o Armorial continua pulsando forte no coração do Brasil”, revela o diretor artístico Deca Madureira.
15 anos de história e uma saideira imperdível