O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou uma audiência pública nesta terça-feira (3), convocada pelo ministro Luiz Fux, para discutir a Medida Provisória (MP) 1.394/2026, que proíbe as apostas online no Brasil. Fux é relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, que pede a derrubada da MP, e convocou muitas organizações contrárias à proibição, como clubes de futebol. Mas, ao final, sinalizou posição favorável ao banimento das bets.
No Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Rosemary Segurado, diretora do Coletivo Digital, contrapõe o argumento de que alguns clubes de futebol irão falir sem as bets. “Há quanto tempo tem as bets? Há quanto tempo existe o futebol? Faz um século! E sempre teve outras formas de sustentação e que pode voltar a ter, e ainda inovar e criar outras formas. O que não se pode é buscar essas sustentações às custas de um impacto social violento que é a adição nas bets”, critica.
“Eu conheço uma trabalhadora que perdeu um apartamento para as apostas. É uma situação muito triste de presenciar”, conta. Por isso, Segurado defende que a proibição é “uma medida muito importante e que precisa ser mantida”. Ela destaca que a sociedade civil já percebeu os benefícios do fim das bets, e um deles é o aumento do poder de compra.
Para manter a proibição, a pressão popular deve desempenhar papel decisivo. Contudo, Segurado avalia que o processo eleitoral reacendeu a importância da mobilização popular como ferramenta de pressão. “As ruas mostraram força política e essas não são apenas pautas do presidente Lula, mas de interesse do povo”, pondera.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
Fonte: Brasil de Fato