sábado, outubro 31, 2026
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Lula 4, com mais democracia e direitos

por Curta FM

As urnas deram um recado contundente no último dia 25 de outubro, reelegendo Luiz Inácio Lula da Silva com mais de 64 milhões de votos para um inédito quarto mandato presidencial. Foi, talvez, a reviravolta política mais surpreendente da história recente do país: depois de passar 580 dias preso, de ter todas as condenações anuladas e retornar à Presidência da República, Lula protagonizou uma façanha política ao reverter o resultado de uma eleição em apenas três semanas, algo sem precedentes na história do Brasil, culminando em uma vitória acachapante.

Inúmeras análises foram publicadas a respeito dessas eleições nos últimos dias. Portanto, este texto não busca ser apenas mais uma delas. Nosso intuito é trazer um olhar voltado para o que está por vir. Mas, para isso, antes, precisamos nos deter sobre alguns dados eleitorais e fatos importantes deste segundo turno.

A campanha ganhou força de massas já nos primeiros dias, com pessoas se auto-organizando para convencer eleitores indecisos e aqueles que se abstiveram no primeiro turno. Cabe destacar a importância das grandes regiões metropolitanas, como Belém, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, que concentraram parte significativa dos votos conquistados por Lula no segundo turno.

Além disso, o chamado “Exército do Lula” teve papel fundamental na campanha e representou uma das grandes novidades da disputa nas redes sociais. A capacidade de mobilização, articulação e produção de conteúdo por milhares de apoiadores demonstrou a força da organização popular no ambiente digital. Não por acaso, essa atuação foi alvo de sucessivas ameaças de censura por parte do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE. Essa experiência deixa uma lição importante para o governo Lula 4 e a esquerda brasileira: a comunicação não pode se limitar aos canais institucionais nem ficar refém da lógica da grande mídia. É preciso disputar a narrativa, dialogar diretamente com a população e fortalecer os canais de comunicação com o povo. O próprio presidente já sinalizou essa intenção ao afirmar que pretende promover uma mudança radical na comunicação do governo, passando a falar diretamente com as pessoas.

Outro fato relevante desta campanha de segundo turno foi o governo ter conseguido pautar, no Senado, a votação da PEC 221/2019, que inseriu na Constituição Federal (EC 141) o fim da escala 6×1, com a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Essa foi a maior conquista de direitos desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, o que diz muito sobre a força da classe trabalhadora quando está unificada.

Ainda durante a campanha presidencial, no dia 21 de outubro, o presidente Lula sancionou o Prospera MEI, pacote de medidas que beneficiará até 17,6 milhões de pessoas que trabalham por conta própria com CNPJ. Na mesma data, o governo encaminhou ao Congresso a PEC da Tarifa Zero, que propõe a gratuidade no transporte público aos finais de semana. A medida pode beneficiar pelo menos 25 milhões de pessoas, considerando os dados de passageiros pagantes de 2022.

Vencida a batalha eleitoral, está em jogo agora a definição das medidas que serão adotadas pelo novo governo. Se lembrarmos bem, essa movimentação já deve começar nos dois meses finais do atual governo, com o processo de transição. E a pressão pela adoção de medidas impopulares será grande, como já demonstram os economistas alinhados ao mercado financeiro, que propõem ajustes de até R$ 450 bilhões nas contas públicas.

Para o povo brasileiro, que sobrevive do próprio trabalho e vive a economia real, e não dessa lorota fiscalista, a redução do custo de vida, considerando os aluguéis, o transporte público e os preços dos alimentos, combinada com o aumento do poder de compra, a geração de empregos e a elevação da renda do trabalho, constitui um conjunto de medidas fundamentais para a manutenção da vida digna. Para que isso aconteça, vamos ter que cobrar mais caro do andar de cima e manter a mobilização nas ruas e nas redes para pressionar o Congresso Nacional a aprovar essas medidas.

Portanto, a vitória eleitoral de Lula neste segundo turno abre um novo ciclo de possibilidades para a classe trabalhadora brasileira. Mas somente nossa capacidade de mobilização de massas e de organização de base poderá determinar nossa capacidade de moldar o futuro de acordo com os interesses da maioria.

* Pablo Bandeira é advogado popular e membro da coordenação nacional do MTD.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.



Fonte: Brasil de Fato

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