O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em discurso no plenário na quarta-feira (4), criticou parlamentares bolsonaristas que venceram as eleições com ofensas e agressões a quem pensa diferente, e sem apresentar propostas para o país. Na fala, o senador também criticou a pressão por impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e a tese de fraude nas eleições, levantada por Flávio Bolsonaro (PL) e seus apoiadores, ironizando os que venceram o primeiro turno e não questionaram as urnas.
Para a cientista política Priscila Lapa, a fala de Alcolumbre é uma evidente sinalização à base governista em uma direção de composição. “A gente vivenciou muita tensão nos últimos anos dessa busca por uma hegemonia pelo campo bolsonarista, pela força eleitoral com que os integrantes do PL chegaram ao poder. No final do primeiro turno, deu a impressão de que a gente teria uma hegemonia desse campo na política com grandes impactos na Suprema Corte”, pontua ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Na avaliação dela, essa construção foi quebrada a partir do momento em que houve a formação de uma grande frente ampla pela democracia em torno da candidatura de Lula. “Foi uma resposta a essa frente bolsonarista. E hoje existe uma oportunidade de uma reorganização puxando a política para uma agenda mais mundo real, mais pragmática”, aponta.
Lapa também considera que houve um entendimento por parte de Alcolumbre de que o único meio de sobrevivência para ele e seu grupo político seria uma composição com o governo. “Não há como vencer numericamente a bancada bolsonarista que se elegeu, mas há como trazer a agenda mais para o centro. O presidente do Senado tem esse poder. Esse jogo das emendas parlamentares requer, sim, negociações. E ele se coloca como elemento de negociação ao fazer essa fala dura”, afirma.
Priscila Lapa considera que, ao criticar, Alcolumbre chama para a si a responsabilidade dessa negociação e de colocar o pragmatismo na ordem do dia. “Há um caminho de acomodação das instituições e de uma certa harmonização que a gente não vivenciou na última legislatura”, ressalta.
Com relação à composição do Lula 4, a cientista política fala sobre o nome de Rafael Fonteles, reeleito com ampla maioria no governo do Piauí, sondado para o Ministério da Fazenda. Segundo Lapa, seria uma manobra um tanto arriscada. “É um ministério muito desafiador. Além das questões políticas, a questão econômica está na pauta central do próximo governo e a construção de uma sucessão a Lula passa pela questão econômica”, resume.
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Fonte: Brasil de Fato