Preso nesta quinta-feira (15) pela Polícia Federal (PF), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União) teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral por suposto envolvimento com milícias e organização criminosa no Rio de Janeiro. Mesmo assim, o registro foi liberado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a poucos dias da eleição, em 29 de setembro.
A investigação da PF que embasou a prisão no âmbito da operação Unha e Carne aponta supostos acordos com o Comando Vermelho (CV) e vínculos com milicianos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O documento que o Uol teve acesso descreve que havia uma negociação com traficantes locais para retirada temporária de barricadas, “com o escopo exclusivo de viabilizar a execução de obras urbanísticas públicas e sua subsequente exploração político-eleitoral midiática pela prefeitura”.
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Em contrapartida, a administração de Canella garantia “recuo deliberado” das operações policiais e a “devolução pacífica” do controle territorial para o grupo armado, segundo a PF. Por outro lado, a Prefeitura de Belford Roxo apresentava a Operação “Barricada Zero” como uma ação de enfrentamento ao tráfico de drogas.
O ex-prefeito se tornou o segundo mais votado para a Assembleia Legislativa (Alerj) em 4 de outubro, tendo recebido 83% dos seus votos em áreas controladas por grupos criminosos armados, segundo levantamento do pesquisador Bruno Pantaleão, do Centro de Segurança Pública e Analytics da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado pelo Uol.
A campanha de Márcio Canella fez dobradinha com dirigente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, a deputado federal. A reportagem tenta contato com a assessoria de Canela e do União Brasil para um posicionamento. O espaço segue aberto.
A operação Unha e Carne apura envolvimento de agentes públicos com o crime organizado no Rio de Janeiro. Em sua 8ª fase, a PF apura lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana que movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos.
Ligação com Flávio
Eleito em 2024 para a prefeitura de Belford Roxo, Canella renunciou ao cargo em abril para concorrer ao Senado apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. A mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, seria a primeira suplente da chapa.
O ex-prefeito desistiu após uma prisão em flagrante pela PF em julho. Na 6ª fase da operação Unha e Carne, agentes apreenderam em seu carro um fuzil de uso restrito da Polícia Militar. A defesa alegou que o armamento pertencia ao policial responsável pela segurança do político. O ministro do STF Alexandre de Moraes revogou a prisão preventiva de Canella e, posteriormente, as medidas cautelares impostas.
O suposto envolvimento de Márcio Canella com o crime organizado motivou um pedido do Ministério Público para barrar a sua candidatura a deputado estadual. Embora tenha sido rejeitado, um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não foi julgado.
Como ele disputou com o registro deferido, caso a candidatura seja revogada, Canella pode não ser diplomado para exercer o mandato. Neste caso, seus 197.178 votos podem ser transferidos para a Federação União Progressista (União e PP).
RJ tem cinco ex-chefes de polícia presos
Com a prisão do delegado Marcus Amin na operação Unha e Carne, nesta quinta (15), o estado do Rio de Janeiro soma cinco ex-secretários de Polícia Civil presos por suspeita de envolvimento com o crime.
Marcus Amim teve passagem pela presidência do Detran-RJ antes de ser alçado a chefe da polícia. O ex-secretário é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes. A ascensão do delegado, segundo o MPRJ, teve respaldo político de Canella e de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, também preso.
Em 2024, a PF prendeu Rivaldo Barbosa no curso das investigações do caso Marielle Franco. Em fevereiro deste ano, o STF condenou Barbosa a 18 anos de prisão pelos crimes de obstrução à Justiça e corrupção. O delegado sabia que o crime contra a vereadora havia sido encomendado pelos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão e agiu para não avançar com as investigações.
Outros secretários presos foram Allan Turnowski, em 2022; além de Álvaro Lins e Ricardo Hallak, ambos em 2008, durante o governo de Anthony Garotinho.
Fonte: Brasil de Fato