sexta-feira, setembro 11, 2026
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Documentário Lendo o Mundo tem pré-estreia na Cinemateca Brasileira com debate sobre memória, cinema e educação

Sessão acontece em 15 de setembro, em São Paulo, seguida de conversa com a diretora Catherine Murphy, Liciane Mamede e Sonia Couto Souza Feitosa

por Curta FM

As experiências de alfabetização de adultos conduzidas por Paulo Freire no início dos anos 1960 continuam mobilizando pesquisas, produções audiovisuais e debates sobre educação e democracia. É a partir desse legado que o documentário “Lendo o Mundo” (2025) chega à Cinemateca Brasileira, em São Paulo, para uma sessão de pré-estreia no dia 15 de setembro, às 15h30.

Após a exibição, às 16h45, acontece o debate “Memória, Cinema e Educação”, com a participação de realizadores, pesquisadores e profissionais ligados à educação e à preservação audiovisual. Participam da conversa a diretora do filme, Catherine Murphy; a produtora cultural e pesquisadora Liciane Mamede; e Sonia Couto Souza Feitosa, pesquisadora e educadora com trajetória dedicada ao estudo de Paulo Freire. Gabriela Sousa de Queiroz, diretora técnica da Cinemateca Brasileira, também participa da programação. A mediação será de Marcelo Fonseca, coordenador de Educação a Distância do Instituto Paulo Freire.

Dirigido por Catherine Murphy e Iris de Oliveira, “Lendo o Mundo” revisita as experiências de alfabetização de adultos conduzidas por Paulo Freire no Rio Grande do Norte, especialmente em Angicos, onde centenas de trabalhadores rurais aprenderam a ler e escrever em um processo que se tornou uma das referências de sua trajetória. A partir das memórias de participantes dos Círculos de Cultura, de imagens de arquivo e de registros daquele período, o documentário acompanha uma proposta de educação que articulava o aprendizado da leitura e da escrita à participação política, aos direitos civis e à conscientização.

A produção também procura recuperar o contexto social e político do Nordeste no início dos anos 1960, marcado por movimentos sociais, reivindicações por reformas e profundas desigualdades no acesso à educação. O trabalho desenvolvido por Freire e por jovens educadores naquele período seria interrompido pelo golpe de 1964, que levou à prisão e ao exílio do educador.

“Mais do que revisitar uma experiência de alfabetização, queríamos compreender o que estava por trás dela e o momento histórico em que aconteceu. Em Angicos, alfabetizar também significava ampliar as possibilidades de participação e de transformação de uma população que, até então, tinha pouco acesso à educação e sequer podia exercer plenamente seus direitos políticos. Olhar para aquele período nos ajuda a entender por que a experiência de Paulo Freire ganhou uma dimensão tão maior e por que seu legado continua atual”, afirma Catherine Murphy, uma das diretoras do documentário.

Desde a estreia no Festival de Gramado, em 2025, onde recebeu o Kikito de Melhor Longa-Metragem Documentário, “Lendo o Mundo” vem ampliando sua circulação em festivais. O filme já foi selecionado para mais de 15 festivais nacionais e internacionais e recebeu o Prêmio Corazón Feliz, no 46º Festival Internacional de Nuevo Cine Latinoamericano de Havana; Melhor Filme e Direção, na Mostra Humanidades do Santos Film Fest 2026; Menção Honrosa, no 6º Citronela Doc; e 1st Place Feature, no Defense of Democracy Film Festival 2026.

A sessão na Cinemateca abre uma série de exibições do documentário programadas para setembro. No dia 17, Lendo o Mundo será exibido no Firehouse Cinema, em Nova York, com sessão de perguntas e respostas após o filme. No dia 18, o documentário integra a programação da Columbia University Teachers’ College Freire Conference, também em Nova York.

De volta a São Paulo, no dia 19, o filme será apresentado no Cine Belas Artes, em uma sessão especial em celebração ao aniversário de Paulo Freire. No dia 24, a produção chega a Angicos (RN) para o III Seminário Paulo Freire, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Em 25 de setembro, haverá uma exibição na Ação Educativa, em São Paulo, e outras exibições estão programadas para os próximos meses.

Sobre a Maestra Productions

A Maestra Productions é uma produtora colaborativa sem fins lucrativos que cria documentários centrados nas artes, educação e movimentos de justiça social.

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